domingo, 16 de janeiro de 2011

Bem, um texto velho achado no quarto...

"tem gente demais com medo de falar contra as bixas - intelectualmente. assim como existe gente demais com medo demais de falar contra a esquerda - intelectualmente. não tenho o menor interesse por onde vai a coisa -só sei que tem gente demais com medo." [Charles Bukowski]

e eu só sei que tem bixas demais.

e idiotas demais. ou melhor, só idiotas.

eu não acho que exista a paranóia. apenas momentos de atenção concentrada.

um cara da facul estava me contando uma história de suas paranóias. ele disse que o padrasto de uma guria que ele quer pegar (envolve uma história idiota sobre o velho idiota que quer comer a enteada) anda mandando vigias atrás dele. E um vigia, um idiota de azul, acabou de passar na nossa frente.
Porque os idiotas acham que se vestir com uma camisa azul, pólo ou coisa que o valha, vai torná-los mais inconspícuos. É um padrão. Todos os idiotas de azul são suspeitos. Se não mais, pelo menos o mesmo tanto que os outros idiotas que se vestem de outra maneira.
O assunto é paranóia. E eu já notei, sempre que estou namorando/ficando/de rolo com alguém, parece que as mulheres me olham. Que inferno. Porque não chove na horta seca? Isso é de deixar qualquer infeliz puto da vida.
e idiotas. idiotas por toda a parte, como caracóis que sobem em pequenas plantas roxas para respirar após a chuva. idiotas sempre achando coisas idiotas para fazer, falar, foder, o que for. idiotas que te pagam um trago só por você ter falado duas coisas engraçadas, que você leu ou ouviu em algum lugar. porque idiotas sempre falam que "têm que ir", fazer ou o que for, e logo após falam que não querem ir. Dizem algo sobre liberdade, e ainda assim se submetem e fazem coisas que não estão a fim. se não são idiotas os que fazem isso, o que são?
idiotas e bixas. um esgoto cheio de merda. uma bixa reclama com o cara que lhe mete no cu: "ai, só tem gente feia aqui". PORRA, vai se foder. Jô Soares, um grande idiota, disse: "se faz 50º à sombra, sai da sombra". caralho, idiotas e bixas e bixas idiotas. que merda. paranoicamente falando, parece que todos estes caracóis se reúnem à minha volta, querendo ir comigo a um bar e escutar as coisas que eu "tenho" a dizer. será que idiotas realmente se interessam pelo que eu tenho (de fato) a dizer? É por isso que eu costumo só dizer o que eles querem ouvir, e deixo eles pagarem a minha cerveja.
O tal vigia idiota de azul não apareceu mais. será que a paranóia do tal cara da facul se curou ao passá-la para mim, como um soluço ou bocejo?
em compensação, cada idiota que passa aqui fica olhando-me escrever. PORRA. se você está em uma universidade, será tão ANORMAL assim encontrar um cara sentado no chão escrevendo? e o pior: idiotas imitam-se uns aos outros. o chão estava vazio; sentei-me em um lugar estratégico, entre o bebedouro e a entrada da sala de aula e escrevi um pouco. Logo chegou o tal cara e contou a história do idiota de azul que o estava seguindo. e agora, além de mim, tem mais dois caras sentados no chão, além das 4 pessoas na mureta onde caracóis rastejam. Minha paranóia está chegando a um limite.

"me canso fácil dos preciosos intelectos que precisam cuspir diamantes toda vez que abrem suas bocas." [C B]

será que, como o BigB, eu sou um dos poucos que detesta este tipo de intelectualismo de merda? Numa universidade, então, o fundo é ainda mais pesado. se eu não soubesse que tantos professores são tão ou mais idiotas quanto seus ouvintes, eu até chegaria a ter pena deles. mas parece que eles gostam.
universidade: diamantes como merda cristalizada, e bocetas desfilando em saias esvoaçantes. Hippies sujos (mas limpos), que vêm à universidade com seus dreadlocks, roupas amarrotadas e desbotadas, chinelos e miçangas, no carro do ano que papai comprou. merda cristalizada e fria.
dizem que eu tenho esta raiva contida. não é raiva. não mesmo. estou cagando pra esta merda toda. o chato é que me tratam como a um igual. eu sei da minha idiotice, não preciso de outros me mostrando o quão idiota eu sou. Eles ficam com essas idéias pré-moldadas de "o existencialismo é isso", o diabo. suas sandálias de couro de R$ 50,00, suas calças folgadas, feitas para parecerem de gente largada, homens de cabelos longos e sujos, mulheres de cabelos curtos e aqueles óculos idiotas, para fazerem pose. uma merda.
e eles ainda passam me olhando, só porque eu não me visto como eles, ou não ando por aí arrastando chinelos, vagabundeando, e estou sentado no chão, entre o bebedouro e a sala, escrevendo. uma vez disse que a palavra "universitário" é uma expressão chula demais para designar o vagabundo. ele foi o único que concordou comigo.
paranóia? idiotas enchendo este mundo, indo às cadeiras dos líderes, sendo formadores de opinião. e a revolução é algo cada vez mais utópico, sendo que, direita ou esquerda, prós ou contra, capitalistas ou comunistas, todos são idiotas, e pior, universitários.

A droga do meteoro caiu muitos anos antes da hora certa. Matou os inocentes, os dinossauros. Se ele caísse agora, eu acreditava e agradeceria a Deus.


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Textinho escrito numa noite de ócio na UnB, com Bukowski e café, em 2007. Bacana relê-lo xD

Um comentário:

Recordar-te é sentir de súbito um sopro disse...

meu...é...a vida... e é o moshi...uahuahuahua